As obras literárias ACAFE 2027 já foram divulgadas pela banca. São cinco títulos nacionais de leitura obrigatória para o Vestibular de Verão, e dois deles são novidade em relação à edição anterior.
A lista de obras é uma das poucas partes do vestibular em que você sabe, com meses de antecedência, exatamente o que vai cair. E mesmo assim é onde muita gente deixa ponto na mesa, porque lê um resumo na véspera, decora o enredo e chega na prova sem conseguir relacionar a obra com o autor, com o contexto e com o jeito que a banca pergunta.
Abaixo você encontra a lista completa, o que cada obra conta e o que vale ter na cabeça no dia da prova.

Obras literárias ACAFE 2027 verão: a lista completa
- Desenganos da Vida Humana e Outros Poemas, de Gregório de Matos (novo na lista)
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
- Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz
- Vésperas, de Adriana Lunardi (novo na lista)
- Uma Tristeza Infinita, de Antônio Xerxenesky
As obras literárias do ACAFE 2027, uma a uma
1. Desenganos da Vida Humana e Outros Poemas, de Gregório de Matos (novo)
Na Bahia do século 17, um poeta usa a pena como arma. Gregório de Matos alterna fé e deboche, elogio e veneno, sem poupar ninguém. Entre o sagrado e o profano, expõe as contradições de uma sociedade inteira em versos afiados.
É o nome mais importante do Barroco brasileiro e ficou conhecido como Boca do Inferno pela poesia satírica que escreveu contra a elite colonial, o clero e as autoridades da época.
O que vale ter na cabeça:
- O conflito barroco entre corpo e alma, pecado e arrependimento, aparece o tempo todo na poesia religiosa.
- A poesia satírica é o outro lado da mesma moeda e é onde a crítica social fica explícita.
- Cultismo e conceptismo, os dois traços de estilo do Barroco, costumam ser cobrados a partir de trechos.
O detalhe que passa batido: a obra é uma antologia, não um livro único escrito de uma vez. Você vai encontrar poemas de registros muito diferentes lado a lado, e é exatamente esse contraste que rende questão.
2. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Quem conta essa história já está morto. Do além-túmulo, Brás Cubas revê a própria vida sem pressa e sem vergonha: os amores, os fracassos, as vaidades. Com ironia, ele expõe a hipocrisia de uma elite que ri de si mesma.
Publicado em 1881, é o romance que marca o início do Realismo no Brasil e segue sendo um dos textos mais cobrados em vestibular no país inteiro.
O que vale ter na cabeça:
- O narrador defunto autor é o recurso central do livro e é o que permite a ironia. Ele não presta contas a ninguém, e por isso pode ser cruel.
- A crítica à elite brasileira do século 19 aparece em quase todo capítulo, geralmente disfarçada de digressão.
- Capítulos curtos, conversa direta com o leitor e quebra da narrativa tradicional são marcas que rendem questão de trecho.
O detalhe que passa batido: o famoso “ao vencedor, as batatas” não é uma frase solta de motivação. É a síntese de uma teoria cínica sobre a sobrevivência dos mais fortes, e entender o contexto dela muda a leitura do livro inteiro.
3. Vésperas, de Adriana Lunardi (novo)
Órfã e sozinha no sertão, Maria Moura decide que não será presa fácil por ninguém. Reúne um bando de homens armados, assume o comando e sai para defender sua terra. Em um mundo de homens, ela impõe a própria lei.
Publicado em 1992, é o último romance de Rachel de Queiroz, um romance histórico ambientado no sertão nordestino do século 19.
O que vale ter na cabeça:
- A protagonista feminina que assume papel de liderança em um ambiente violento e masculino é o eixo da obra.
- O sertão aqui não é cenário decorativo. Ele explica a lógica de sobrevivência de cada personagem.
- A narrativa alterna vozes e pontos de vista, o que costuma render questão de identificação de narrador.
O detalhe que passa batido: Maria Moura não é uma heroína no sentido tradicional. Ela mata, manda matar e escolhe a própria lei. Ler o livro procurando uma personagem exemplar é o caminho mais rápido para errar a interpretação.
4. Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz
Nove escritoras, nove despedidas. Adriana Lunardi imagina os últimos dias de nomes como Virginia Woolf, Clarice Lispector e Sylvia Plath, misturando biografia e ficção. Cada conto entra na solidão, nas paixões e nos silêncios dessas mulheres, às vésperas do fim.
Publicado em 2002, é um livro de contos da literatura brasileira contemporânea, e a estrutura dele é o que mais o diferencia dos outros títulos da lista.
As nove escritoras retratadas são Virginia Woolf, Katherine Mansfield, Dorothy Parker, Colette, Zelda Fitzgerald, Sylvia Plath, Clarice Lispector, Ana Cristina César e Júlia da Costa.
O que vale ter na cabeça:
- A fronteira entre biografia e ficção é o tema e a técnica ao mesmo tempo. A autora parte de mulheres reais e inventa a cena final de cada uma.
- Três das nove são brasileiras: Clarice Lispector, Ana Cristina César e Júlia da Costa. Vale conhecer o mínimo sobre cada uma.
- Solidão, criação artística e o lugar da mulher na literatura atravessam o livro inteiro.
O detalhe que passa batido: não é preciso conhecer a obra de cada escritora retratada para entender os contos, mas conhecer ao menos Clarice Lispector e Virginia Woolf ajuda muito a perceber o que a autora está fazendo em cada um deles.
5. Uma Tristeza Infinita, de Antônio Xerxenesky
Alpes suíços, logo após a guerra. Um jovem psiquiatra francês recusa o eletrochoque e prefere conversar com cada paciente. Sessão após sessão, feridas antigas vêm à tona, e ele entende que a loucura também mora dentro de quem tenta curar.
Publicado em 2021, é o título mais recente da lista e um romance da literatura brasileira contemporânea, ainda que ambientado na Europa do pós-guerra. Venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria de melhor romance.
O que vale ter na cabeça:
- A relação entre médico e paciente é o centro do livro, e o próprio psiquiatra acaba confrontando os traumas dele.
- O pano de fundo da Segunda Guerra recém-terminada explica o estado emocional de quase todos os personagens.
- A discussão sobre o que é sanidade, e sobre quem tem autoridade para definir isso, é o tema de fundo.
O detalhe que passa batido: o hospital isolado na Suíça não é só cenário. O confinamento é o que aproxima médico e pacientes e o que faz a história andar.

Calendário do Vestibular de Verão ACAFE 2027
Guarde estas datas. Elas organizam a sua reta final inteira. A lista de obras literárias ACAFE 2027 e as regras completas do processo seletivo estão no site oficial da ACAFE.
| Etapa | Quando |
|---|---|
| Inscrições | 01/09/2026 a 29/09/2026 |
| Pagamento da taxa | até 30/09/2026 |
| Confirmação do local de prova | a partir de 30/10/2026 |
| Aplicação da prova | 22/11/2026 |
| Resultado | até 11/12/2026 |
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